
Neste 5 de outubro, exatamente há 38 anos, na Assembléia Nacional Constituinte, Ulysses Guimarães, deputado federal e presidente da Constituinte, proclamava a nova constituição nacional, a Constituição Cidadã, que reestabeleceu, com a participação de todos os segmentos da sociedade brasileira, a ordem democrática ao assegurar no seu bojo direitos e deveres que, a partir desta data, norteariam a conduta de homens e mulheres no Brasil. Direitos foram reconquistados, antes sufocados pela ditadura militar de 1964 e novas conquistas estabelecidas garantindo a todos brasileiros a livre manifestação de idéias e o fim dos constragimentos à liberdade politica.
Para nós, tocantinenses de nascimento e de coração, na nova constituição foi criado o Tocantins, o único estado novo do país que nasceu do consenso entre a população das regiões norte e sul de Goiás. Uma unamidade que parecia impossível já que vários movimentos separatistas brasileiros não conseguiram a mesma façanha. Aparentemente essa conquista foi tranquila mas sua realização foi fruto de mais de 200 anos de história que começou no início do século 19 com o desembargador português Theotônio Segurado e seus aliados e culminou com a trajetória memorável do então deputado federal Siqueira Campos que, ao chegar no inicio dos anos 60 ao antigo norte goiano, abraçou e levantou a bandeira da emancipação da região. Siqueira mobilizou a população e, com apoio das lideranças locais, até mesmo de gente do sul de Goiás, convenceu os parlamentares constituintes que a criação do novo estado do Tocantins era viável e traria para a população do antigo norte goiano, abandonada e isolada, acesso a educação, ao trabalho e a melhores condições de vida.
Hoje o que se vê é que a luta dos nossos pioneiros pela criação do Tocantins está esquecida pela maioria da população, especialmente pela nova geração que desfruta o privilégio de viver num estado desenvolvido com acesso as escolas, hospitais, saneamento básico, estradas e comunicação entre outros benefícios que no passado não existiam por aqui. O antigo norte goiano era tratado jocosamente como o Corredor da Miséria¨ e seus moradores só eram lembrados pelos ¨coronéis¨na época das eleições. Não existe nas aulas de história que são dadas aos nossos estudantes o estudo sobre a criação do Tocantins, o 5 de outubro virou um feriado aleatório.
Infelizmente, depois de Siqueira Campos, que fazia questão de valorizar a cultura tocantinense e os feitos do nosso povo, seus sucessores deixaram a nossa história nas gavetas de nossos poucos museus existentes no estado. Hoje os nossos líderes políticos, com raras excesssões, estão focados em garantir espaços nos parlamentos e no executivo para si e seus familiares. Na verdade, a realidade de hoje mostra um quadro de lideranças que só buscam a própria sobrevivência nos espaços de poder. Eles não apresentam e nem defendem projetos estruturantes, a valorização da nossa história e nem da nossa cultura. Para eles, 5 de outubro é somente mais um feriado.
Saudades quando nesta data aconteciam os desfiles, os shows, a Fecoarte, os festivais de música, vídeos na tv mostrando talento dos artistas da terra, "os minhocas" que recebiam todo o apoio do governo do estado e de algumas prefeituras para a produção de suas criações. Hoje vivemos um apagão que afasta a nossa população da sua história. Os artistas da terra foram sufocados pelo sertanejo sem alma, pelo piseirinho sem melodia e pelo pagode raso. Ainda é tempo de valorizar nossa história, incluí-la nas salas de aula antes que seja tarde. Um povo sem história é arvore sem raiz que o vento da "modernidade" pasteurizada carrega.
Co yvy ore retama!
Sensação
Vento
Umidade


